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Você ensina a criança a valorizar seu corpo? Ou: Prevenindo bullying e pedofilia

O que a saúde psicológica do seu filho tem a ver com a questão do corpo? O que pedofilia e bullying tem a ver com tudo isso?

Já parou para pensar no quanto nosso corpo é importante? Somos corpo, alma e espírito, e as três instâncias influenciam umas às outras. A alma é a psique, ou “sopro”, a vida. O espírito, nossa parte mais profunda e essencial. O corpo é nosso templo, a casa da nossa alma e espírito. Você já parou para refletir sobre o que vem ensinando a seu filho sobre o corpo dele?

Os exemplos ao redor dele são muito importantes. É vendo como as pessoas cuidam dos próprios corpos, o que comem, é sentindo o que o corpo representa de verdade, é assim que as crianças vão construindo um significado para seus próprios corpos. Que importância tem isso? Talvez muito mais do que você imagina.

Ensine seu filho que o corpo dele é sagrado e inviolável, através de exemplo genuíno e diálogos abertos, e ele se sentirá mais seguro e menos vulnerável. Ensine seu filho dando castigos físicos e humilhantes e ele entenderá que corpos e sentimentos podem ser violentados.

Ensine sobre intimidade. Nesse mundo tão focado na exposição dos corpos, ensinar intimidade é remar contra a maré. Mas é importante frisar os limites da exposição. Mesmo que de maneira lúdica. Mesmo que na família haja o hábito de não se cobrir muito, é possível ensinar a diferença entre preservar a intimidade e expor-se de forma vulgar ou perigosa. Isso são princípios e limites que o adulto tem que ter internalizado para conseguir passar.

Na psicanálise isso tem a ver com o chamado pacto denegativo, conceito que pode ajudar a aprofundar o assunto. Esse pacto tem a ver com limites entre os corpos e as almas na família. É mais profundo, mas, se você é da área, vale a pena estudar.

O mês de maio é o mês da luta contra a violência sexual. Ao mesmo tempo, o bullying está sendo cada vez mais discutido. Essas duas questões estão relacionadas com o que a criança pensa e sente sobre seu próprio corpo, além de como sente-se a respeito de si mesma, psicologicamente. A violência sexual e o bullying (quando físicos) estão relacionados à violação do corpo. Ensine limites claros sobre o que é bom e o que não é bom que se faça com o corpo e mantenha abertura afetuosa e atenção, tudo isso, desde pequeno. A criança que vive de verdade num ambiente familiar em que corpos e sentimentos são respeitados, cuidados e inviolados estará menos vulnerável a esses tipos de violência.

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390