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Obesidade infantil

Antes de começar, gostaria de salientar que esse post é sobre obesidade grave. Não é sobre estar apenas fora dos padrões de revista. Todos nós temos o direito de sermos felizes e sentirmos bem com nosso próprio corpo. Nos amar e nos aceitar. Liberte uma criança da baixa auto-estima ensinando a elas valores maiores que o da beleza inalcançável. Tire as crianças do instagram e do youtube se lá elas estão aprendendo que elas não são boas o suficiente.

Por outro lado, a obesidade é uma doença séria. Mesmo que as taxas estejam boas nos exames, existe uma classificação internacional das doenças que classifica o excesso de peso como doença. Além de problemas emocionais, ela traz complicações para saúde física, por exemplo, asma, diabetes tipo 2 e problemas nas articulações. As crianças não conseguem dimensionar isso, então a responsabilidade é dos adultos de ajudar as crianças a terem uma vida ativa e uma alimentação equilibrada.

Os problemas psicológicos trazidos pela obesidade infantil também são muitos e alguns estudos mostram que mesmo que a criança obesa perca peso na vida adulta, alguns danos psicológicos continuam. Crianças obesas tendem a ter menos autoestima e menos autoconfiança em situações de contato social. Algumas apresentam problemas até para ir à escola para evitar esses contatos. O uso de álcool e drogas na adolescência também tem correlação com obesidade infantil.

Os pais podem fazer algumas coisas para ajudar a diminuir o estresse psicológico resultante da obesidade e uma delas é conversar sobre o excesso de alimentação. Muitas vezes uma criança alimenta-se excessivamente porque está triste, ou enfrentando dificuldades graves. Falar sobre essas dificuldades pode facilitar o encontro de estratégias para lidar com elas, ao invés de criar outro ainda maior pelo descontrole alimentar. Os pais podem ainda conversar com a criança sobre como ela se sente a respeito de sua própria aparência. Converse com ela sobre valores mais importantes que a beleza. Destaque as qualidades especiais que ela tem e que atraem as pessoas para a companhia dela. Crie o hábito de elogiar a criança sempre que ela conseguir algo positivo, faça isso com frequência.

Quando a obesidade estiver presente numa família, a comida não deve ser usada como recompensa. Quando a criança conseguir algo que mereça ser celebrado, vá ao cinema ao invés de uma lanchonete ou pizzaria. Além disso, as crianças nunca devem ser criticadas por não perder peso ou por não conseguir objetivos pessoais.  Seja sempre construtivo.

O mais importante é servir de exemplo para a criança. A família toda deve comer de maneira saudável e fazer atividade física. E lembre-se: crianças tendem a agir de acordo com o que lhes gera prazer, é dever dos pais ensinar, estimular, corrigir e ajudá-las a alcançar comportamentos melhores.

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390