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O melhor estilo de educar os filhos

Os estilos de se educarem os filhos podem ser classificados em quatro tipos: autoritativo, autoritário, indulgente e negligente. Esses estilos dependem de como os pais usam de responsividade e exigência.

Responsividade é o comportamento de apoio dos pais, de aprovação, ela acontece quando o cuidador elogia, ressalta pontos fortes, legitima a criança. A exigência se dá quando há supervisão e cobrança de disciplina.

O estilo autoritário combina altos níveis de exigência e baixa responsividade. É o cuidador para quem “nunca está bom”.

O indulgente combina baixa exigência e alta responsividade. É o cuidador “pode fazer tudo que a mamãe apoia”.

O negligente oferece pouca exigência e pouca responsividade: a criança fica “de lado”, é cuidador “tô nem aí”.

Esses três estilos são prejudiciais para a criança, podendo causar baixa autoestima, problemas de comportamento, abuso de substâncias e baixo rendimento escolar.

O estilo autoritativo combina alta responsividade e alta exigência. É o estilo que apresenta melhores efeitos na autoestima da criança, adaptabilidade, maturidade, autonomia, comprometimento, e valores humanos! É o que pratica o cuidador que exige da criança responsabilidade, organização, cuidado, respeito, etc., (de acordo com a idade da criança, claro) e, ao mesmo tempo, incentiva e apoia a criança naquilo que ela tem de bom e naquilo que ela pode melhorar. São pais que matem diálogo aberto com as crianças, são afetuosos, respondem à suas necessidades, encorajam e disciplinam com firmeza.

Estudos revelam que o estilo autoritativo é o estilo de educação que receberam os adultos que tem, hoje, valores mais humanitários. Para passar os valores que você acredita serem importantes, siga esse modelo parental e, como sempre, dê o exemplo. Se você adora a natureza, por exemplo, e acredita que o excesso de televisão faz mal, converse com seu filho, mas não se esqueça de incentivá-lo e elogiá-lo quando ele puser em prática esse valor, e participe de atividades que exerçam o valor à natureza você também. Um valor que você tem, mas que a criança não sente, não vivencia com você, fica mais difícil de ser passado. Num mundo tão consumista, violento e que valoriza mais bens materiais que pessoas muitas vezes, é responsabilidade de todos nós, adultos, fomentar valores mais humanitários em nossas crianças.

Em situações normais a relação entre pais e filhos concentra poder no polo dos pais. Entretanto isso não é motivo para práticas punitivas descabidas, como a violência e a ameaça de rompimento do vínculo afetivo entre a criança e os pais. Essas práticas geram ansiedade, insegurança e baixa autoestima. Além disso, formam crianças desadaptadas socialmente, pois elas tendem a repetir esse modelo em outros campos sociais, como na escola, ficando, portanto, menos aceitas nesses lugares.

Medidas restritivas, ou seja, que representem “nãos”, podem ser naturais e devem ser acompanhadas de afeto, explicações lógicas e evidenciação da intenção de cuidado, ou seja, o pai que vai imprimir um “não” pode explicar o porquê daquilo ou pode contar à criança como ela está sendo protegida por aquela restrição. Nem sempre isso evita que seu filho chore ou conteste, claro, mas acaba causando uma ideia de cuidado e limites, fatores importantes para o desenvolvimento.

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390