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Normal, humanizado ou cesárea?

A grande maioria das grávidas acredita que o melhor parto seja aquele mais seguro para ela e para o bebê. Elas acabam decidindo junto aos seus médicos o parto mais adequado. Mas para muitas mulheres o planejamento do parto ocorre mesmo antes de ela sentir que já quer ser mãe.

Atualmente, campanhas pelo parto humanizado vêm conquistando cada vez mais mulheres. Gisele Bündchen e Fernanda Lima são algumas das celebridades responsáveis pela popularização desse desejo, além de vídeos e filmes que mostram partos naturais que respeitam o ritmo natural do processo. Por isso muitas famílias planejam ter um parto assim, querendo evitar uma cirurgia desnecessária. Nesse caso, o mais importante de tudo é ter à disposição uma equipe que tem a mesma preferência que você, mas de verdade.

Na imensa maioria das vezes, no Brasil, a grávida que quer esse caminho natural enfrenta duas dificuldades: ou o médico diz que “está com você” nesse projeto, porém faz a cesariana em 90% de suas pacientes, o que significa que ele faz mais cesarianas que o necessário; ou então a grávida que gostaria de ter um parto natural acaba nas mãos de uma equipe que faz parto normal nada natural, cheio de intervenções que ela não queria. É importante se informar ao máximo sobre essas questões para tomar a melhor decisão para você e sua família evitando frustração e violência obstétrica. Se você deseja o parto natural menos intervencionista procure uma equipe que seja conhecida por essas características e estude suas opções. O SUS tem aumentado os atendimentos assim e a rede privada também. Mas infelizmente nem sempre a grávida tem à sua disposição uma equipe com treinamento nessa área.

Por outro lado, muitas grávidas pensam diferente e optam, de antemão, pela cirurgia. Nesses casos existem, na rede privada, mais opções de médicos que praticamente fazem só cesáreas. Hoje os convênios são obrigados a divulgar suas taxas de cesariana. Elas giram em torno de 90% na maioria das vezes. E caso você queira saber a taxa de cesariana do seu médico, mandando um e mail para o plano, eles tem 15 dias para fornecer a resposta.

Em todos os casos, o mais importante, é a mãe estar segura psicológica e fisiologicamente. Tanto no primeiro caso, quanto no segundo, muitas mães enfrentam estresse psicológico. Pode ser difícil, por exemplo, encontrar profissionais especializados e que realmente acreditam no parto natural ou na água. Por outro lado, pode ser também que a mãe se sinta culpada por querer a cirurgia, quando tem tanta gente querendo convencê-la de que isso não é bom. Para essa mulher que não gosta da ideia do parto natural, esse tipo de parto realmente não é bom!

Se você está grávida e confia no seu médico, procure ficar tranquila. Evite conversas estressantes sobre o assunto, ninguém sabe mais sobre como se sente a respeito disso do que você mesma e você não precisa se justificar. Cada mulher é diferente.

Além disso, é muito importante também FLEXIBILIDADE da sua parte. Se você sonhava com um parto natural e se viu num centro cirúrgica tomando uma peridural, pode ficar muito frustrada. E o contrário também. O mais importante é pensar na sua saúde e do bebê, e não se agarrar a ideias fixas que viram obrigações. O melhor parto, do ponto de vista psicológico, é um parto sem grandes frustrações, em que a mãe tem a paz de sentir que o melhor foi feito.

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390