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Meu primeiro filho está com ciúme do novo bebê!

Ganhar um irmãozinho ou irmãzinha pode ser até divertido, mas não deixa de ser uma ameaça ao trono do até então filho único. Minha vida vai mudar? Meu papai e minha mamãe vão mudar comigo? Não adianta dizer a ele que não. É só você se lembrar do quanto sua vida mudou quando seu filho mais velho nasceu. Um recém-nascido causa isso, uma pessoa nova em casa causa muita mudança. Seu filho sente isso e fica com medo. Vamos pensar mais um pouquinho no lado dele? Ele não tinha intenção alguma de deixar de ser o centro das atenções em casa e agora, de repente isso?

As crianças funcionam pelo “princípio do prazer” e elas sempre buscarão o que é mais prazeroso para elas. Seu filho não está sendo egoísta por demonstrar ciúmes, ele só está sendo criança! Não dava para ser diferente, não é mesmo? Dizer à criança que ela está sendo má por não estar lidando bem com isso pode gerar culpa. Então, a primeira coisa a se pensar é que isso é normal e você provavelmente não conseguirá ajudar seu filho a eliminar esse ciúme. Seria uma atitude incomum por ser madura demais. Então procure ajudá-lo a se sentir bem. Sempre tendo em mente que você e toda a família precisam garantir a atenção e amor necessários ao irmão mais velho.

Aí entram algumas dicas válidas: Na hora de dar a notícia da gravidez, elabore uma maneira simples e curta de dizer, acolha o sentimento da criança e evite delongar demais, pois isso pode confundir a cabecinha do pequeno. Ele vai precisar de tempo para compreender a dimensão do que você está dizendo, e ir falando aos pouquinhos é melhor. Mostre a ele fotos de você e seus pares (irmãos primos) na infância e conte histórias pessoais positivas sobre fraternidade. Envolver a criança no máximo de atividades que diga respeito ao novo bebê também tem bons resultados, geralmente. Pedir que escolha roupinhas, ajude a preparar a comidinha, etc.

Existe um papel importante reservado aos primogênitos, mostre isso a eles, mostre o quanto pode ser legar ser o irmão mais velho, brinque com isso, sem sobrecarregar com tarefas de gente grande ou rótulos pesados, como o de responsável pelo irmão ou protetor. Comentar de vez em quando não prejudica, mas rotular é pesado. Pequenas ajudas oferecidas por ele podem fazê-lo sentir-se importante, especial. Essa é a ideia: Mostrar que ambos são igualmente amados nas suas diferenças. Algumas mamães experimentam dificuldade em ter um segundo filho por amar demais o primeiro e achar que vai prejudicá-lo tendo mais um. Se for esse seu caso, procure entender que ter um irmão pode ser muito positivo, encare como um ganho, pois seu sentimento de medo de o primogênito ficar carente pode acabar passando para ele.

Quem era filho único e ganha um irmão tem que achar outro lugar no mundo, o de irmão mais velho, e nessa transição ele pode sentir-se perdido e sofrer. E criança sofre “dando trabalho”. Acolha-o, garanta seu amor e ajude-o a encontrar prazer nisso tudo.

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390