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Mau comportamento, o que fazer?

Que mãe não enfrenta problemas de mau comportamento dos filhos? Crianças dão birra, choram, se recusam a obedecer às vezes, desafiam os adultos e isso é normal! Mas às vezes o limite da normalidade é ultrapassado e a coisa fica realmente séria. Como saber se isso está acontecendo na sua família? Não há maneiras exatas de definir o que é normal e o que é patológico em comportamento humano, cada caso é um caso e diagnósticos precisam ser feitos com muito cuidado. Seja cautelosa para evitar rotular seu filho, mas fique verdadeiramente atenta ao comportamento dele. Se sua família sentir que há um problema grave no comportamento da criança, reúna esforços para ajudar a criança a melhorar, caso vocês não consigam sozinhos, procure ajuda profissional.

Problemas mais sérios no comportamento infantil têm suas raízes, na maioria das vezes, em vínculos adoecidos que são mantidos com essas crianças ou outras dificuldades: pais que confundem o filho ao não manterem a ordem dada, cuidadores que passam a insegurança ou culpa que sentem, violência, negligência e tantos outros problemas. Há casos em que o mau comportamento é a forma de a criança externar sofrimento. Um divórcio em casa, medo, ansiedade, etc. Em casos raros a causa está em distúrbios psíquicos puros. Mesmo nesses últimos casos, o mais comum é encontrar fatores externos associados, ou seja, uma pré-disposição interna da criança somada a um fator provocador externo, como violência, negligência, vínculos adoecidos, etc.

Se você está tendo problemas com comportamentos indesejados do seu filho, mãos a obra. Cruzar os braços e ser negligente só piora as coisas, né? Uma boa ajuda vem da Psicologia Cognitiva Comportamental, que oferece técnicas práticas e hoje eu vou mostrar uma delas. Lembre-se: técnicas de modelagem de comportamento muitas vezes não cuidam das causas do problema, então o primordial é você cuidar dos relacionamentos estabelecidos pelo seu filho e de possíveis fontes de sofrimento. Somado a isso, então, entram as técnicas. Quem já assistiu a programas como Supernanny ou SOS Babá já viu os quadros de premiação de comportamento que elas utilizam, e se você experimentou, viu que funciona bem.

Se você quiser tentar, confeccione um quadro e coloque numa coluna à esquerda os comportamentos desejáveis (fazer a cama, escovar os dentes, ficar pronto pra escola a tempo, etc.) e indesejáveis (mentir, deixar bagunça sem arrumar, brigar, etc.). Numa linha no alto coloque os dias da semana. O quadro deve ser o mais interessante possível, com cores e, caso seu pequenino ainda não leia, com desenhos representando os comportamentos. Trabalhe com estrelinhas para comportamentos desejáveis e “x” para indesejáveis, ou outros símbolos que vocês preferirem. No final da semana premie de acordo com o que você estabelecer como regras pro quadro. Você pode optar, por exemplo, pela regra da meta de estrelas, ou cada “x” anula uma estrela, você decide as regras. Evite premiar com comida e o principal: garanta em todo o tempo o seu amor pelo seu filho, independentemente do desempenho dele. Esse não é um jogo em que seu amor é o prêmio ou ficar sem amor, a punição. Você ama seu filho independentemente de tudo, não é? Ele precisa sentir isso. O que está em jogo são comportamentos positivos e negativos, que não devem afetar em nada o quanto você ama seu filho, ok? Qualquer pergunta, estou à disposição!

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390