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Filho único, mitos e verdades, perguntas e respostas (II)

Ter apenas um filho tem sido a opção de um número cada vez maior de mães e pais. Quais seriam os cuidados e os pontos a serem considerados quando se decide ter um filho único? Vou, nesse post, responder a mais dúvidas comuns sobre filhos únicos.

O filho único é mais egoísta?

R: Mito. O filho que não é único pode ser tão egoísta quanto os únicos, isso depende da criação. Os pais da atualidade têm que se preocupar com isso de uma maneira geral, porque essa é uma tendência cultural geral.

Quais os principais erros dos pais de uma criança só?

R: Os excessos: Excesso de indulgencia (deixar tudo e dar tudo); excesso de proteção; deixar de disciplinar; compensar em excesso; busca de perfeição e tratar a criança como um adulto.

Como essas crianças geralmente se saem em situações de grupo que exigem colaboração?

R: Isso vai depender do nível de socialização que essa criança tem com outras crianças da mesma idade. Se ela foi introduzida aos poucos em grupos de crianças (na família, no prédio, etc.), elas podem sair-se muito bem. Mas crianças que só convivem com adultos, podem não gostar de atividades em grupo, por exigirem colaboração com pares (pares que são muito diferentes dos pares a que estão acostumadas, os adultos). Muitos filhos únicos podem liderar a equipe rapidamente, para garantirem que o trabalho será feito à maneira deles. Outros podem evitar colaborar por se frustrarem com isso.

Por que algumas vezes o filho único “se acha” um adulto?

R: Filhos únicos, muitas vezes, se comparam e se veem iguais aos adultos. O problema de quando uma criança tem adultos como único modelo é que, podem forçar-se demais e cobrando-se em excesso. Por outro lado, isso pode levá-la a sentir-se confortável em comunicar-se com adultos e ter mais habilidade de negociação.

Faz mal dar “tudo do bom e do melhor”?

R: Verdade. Que pai não quer dar “tudo do bom e do melhor”? Independentemente do tamanho da prole, não é mesmo? Isso é bom! O problema não é exatamente esse, mas a falta de imposição de limites desses pais. Existe limite para presentear? Existe! Para fomentar a valorização do que se possui é preciso dosar o quanto se tem, não é mesmo? Isso, independentemente do número de filhos. Imagine uma criança que tenha tanto brinquedo que ela chegue a perder alguns no meio das enormes caixas de brinquedos que possui. Que não se importe em destruí-los, pois sabe que terá mais.  Essa criança precisa aprender a valorizar e a cuidar do que possui, e talvez isso só acontecerá quando ganhar menos coisas.

Quando a proteção vira excesso?

R: Quando os pais, querendo oferecer o melhor, acabam achando que o filho não tem capacidade de se desenvolver por si próprio. Uma alternativa a isso é confiar no filho, dar a ele os parâmetros, incentivar que siga com autonomia e cobrar dele um “retorno” em termos de bom comportamento. Fomentar a independência da criança sempre. Preparar a criança pra viver nesse mundo que é competitivo.

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390