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Filho único, mitos e verdades, perguntas e respostas (I)

Você tem um filho “apenas”? Saiba que filhos únicos são cada vez mais comuns. No Brasil, aproximadamente 1/3 das mães têm apenas um filho.

Existem verdades e mitos conhecidos sobre eles. Muita gente pensa nas palavras “egoísta” e “mimado” quando pensa em filhos únicos. Será que isso é verdade? Para esclarecer, organizei algumas perguntas e respostas sobre o assunto.

– O filho único é mesmo “único”, ou seja, diferente de outras crianças?

R: Isso é mito! Vários estudos mostram que não há grandes diferenças em termos absolutos entre filhos únicos e filhos de famílias com mais irmãos no que diz respeito a habilidades, personalidade, vida social, etc.

– Existem algumas tendências de comportamento, ainda que “não absolutas”?

R: Segundo algumas pesquisas, sim. Podem ser acostumados ao centro das atenções, podem ser auto conectados (conseguem desfrutar de tempo consigo mesmos), podem preferir atividades individuais, ter menos necessidade de pertencimento em grupos (por comumente sofrerem menos privação de afeto). O fato de que os filhos únicos podem conviver predominantemente com adultos durante a infância sugere que eles assumam comportamentos adultos mais precocemente do que os demais.

– É verdade que filhos únicos vão melhor na escola?

R: Se eles recebem mais investimento financeiro, estudando em escolas melhores e, muitas vezes, mais caras; se eles recebem maior investimento de tempo dos pais para monitorar e ensinar as atividades escolares, isso pode ser verdade.  Essas podem ser vantagens de se investir numa criança apenas.

– Como meu filho único pode aprender habilidades como comunicação, compartilhar, coisas que ele aprenderia normalmente com irmãos?

R: Pais devem ensinar a todos os filhos, independentemente de serem únicos, a não ser apenas um receptor de atenção, mas também um doador de atenção., educando-os para a vida! Mas há coisas que adultos não conseguem ensinar às crianças, apenas outras crianças podem e por isso eles precisam passar tempo na companhia de outras crianças da mesma idade. Podem ser primos ou outros grupos, isso fica mais fácil depois da idade escolar, mas é importante que também aconteça antes. É importante criar experiências de brincadeiras livres com outras crianças.

– O que fazer quando eles pedem um irmãozinho e isso não está nos planos da sua família?

R: Muitos pais estão preocupados em relação à educação e os demais custos de se cuidar de uma criança, pois sabem que não poderiam dar o mesmo padrão de vida e educação a mais de um filho. Esses pais podem falar abertamente sobre isso com a criança. Se a mamãe não pode ter outros filhos por questão de saúde, o melhor também é tentar explicar superficialmente. Em todos os casos, é bom suprir um pouco dessa falta de irmãos com a presença de outras crianças, assim você se tranquiliza de que ele não está sofrendo tanto com isso.

Se a opção de ter apenas um filho fizer sentido para sua família, não precisa se preocupar com esses mitos. Com carinho e cautela em alguns pontos específicos, a criança que não tem irmãos pode ser psicologicamente tão saudável quanto qualquer outra!

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390