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Cuidados ao elogiar

Será que elogiar demais estraga? Ou deve ter um jeitinho certo de elogiar as crianças?

Nesse início de ano encontrei algumas pesquisas que estudam o elogio e fiquei surpresa com os resultados. O elogio parece ser sempre algo positivo, mas pode acabar gerando alguns efeitos indesejáveis.

O que pode acontecer nos pensamentos de uma criança elogiada por uma habilidade? Por exemplo: você é tão inteligente, ou tão rápida, bonita, etc.

Ela pode focar em ganhar esse elogio (“inteligente”, “esperta”, etc.) e não em aprender com os processos de que participa.

Crianças muito elogiadas por “características prontas de sucesso” tendem a fugir mais dos desafios que colocam essa reputação em risco do que as crianças que são mais elogiadas por serem “esforçadas”, “corajosas”, “pacientes” (características que indicam capacidade de viver os processos de aprendizagem). Em outras palavras, há elogios que estimulam o desenvolvimento mais que outras.

Elogios à inteligência, por exemplo, podem levar a criança a entender que falhar é uma indicação de “burrice”. Crianças elogiadas pelo esforço tendem a ver as falhas como resultado de falta de esforço. Agora, pensem comigo, quando ficamos mais propensos a melhorar e treinar mais?

Quando pensamos que somos “burros” ou quando pensamos que não nos esforçamos o bastante ainda? Elogiar o esforço e a dedicação passa a ideia de que melhorar é possível.

Pessoalmente eu acredito em elogios de todos os tipos, mas fez sentido pra mim os resultados dessas pesquisas, até pensando em minha vida pessoal. E na sua casa, que tipo de elogios acontecem? Eles são presentes? Eram presentes na sua criação? Vale a pena para você passar a elogiar mais o esforço da criança? Pense um pouco nisso. Elogiar é um ato de amor!

 

Feliz Ano Novo a todos os leitores! Parabéns pelo esforço de serem melhores cuidadores a cada dia! 🙂

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390