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Criança com medo: o que fazer e o que não fazer?

Você se lembra dos seus medos da infância? Medo do escuro, medo de um barulho estranho. Eu tinha medo de ladrão e do personagem vampiro do Chico Anysio. Lembro de querer entrar embaixo da cama. O coração disparava e dava um nó na boca do estômago. É bastante normal ter medo na infância. Por volta dos três ou quatro anos de idade quase toda criança tens seus medos um pouco exagerados. Mas se é sofrimento, precisa de cuidado! Vamos conversar sobre como podemos ajudar nossas crianças a esse respeito?

Sei que os leitores sempre gostam muito de dicas práticas, que possam ajudar no dia-a-dia. Então preparei uma série de dicas desse tipo. Mas o que mais importa, muitas vezes, está além de dicas como estas, ok? O medo e a ansiedade são também formas de comunicar insegurança, e isso é muito complexo, depende de cada caso. Procure sempre ajuda profissional se o sofrimento estiver atrapalhando demais a vida da criança e da família. Vamos às dicas?

– Seja paciente nos momentos de crise e mantenha uma comunicação aberta. Mantenha-se firme e positivo a respeito da situação que provoca medo/ansiedade, mostrando segurança.

– Elogie sempre que apropriado e participe mais da vida dele ou dela.

– Não evite por completo as situações das quais a criança tem medo, se forem situações comuns. Ao invés disso, procure tratar o assunto com naturalidade.

– Nunca a ridicularize ou a exponha desprotegida à situação causadora do medo/ansiedade.

– Distrair a criança em crise de medo/ansiedade pode ajudar muito. O bom humor é bem-vindo, mas nunca ridicularize o medo. Pode ridicularizar o monstro, entrar na fantasia e “acabar com ele” com seus poderes de adulto. Depois de brincar, reforce que aquilo não existe e faz parte da imaginação.

– Crianças podem sentir-se inseguras e com medo por causa de crises familiares. Brigas e discussões entre pais devem ser sempre evitadas quando a criança estiver por perto.

– Ajude seu filho a manter uma rotina saudável (boa alimentação, atividade física), inclusive com tempo para ficar completamente à toa (muitos pais se esquecem disso).

Um grande abraço a todos!

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390