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Comer para aliviar o estresse

Quem nunca se deu uma bela refeição ao longo do dia porque “eu mereço, depois de trabalhar tanto”.

Ao logo da minha carreira, trabalhei com centenas de pacientes obesos no consultório. Em seus relatos percebo o que as pesquisas científicas confirmam: crianças obesas têm chances enormes de se tornar adultos obesos.

Muitas vezes o que acontece é que a criança vai recebendo o alimento sempre que se sente mal por qualquer coisa – e não apenas pela fome. E, como sentimos prazer pela alimentação, principalmente de coisas mais calóricas, o que acaba sendo passado (em longo prazo) é o péssimo hábito de enfrentar os problemas da vida comendo. Isso é muito comum em pacientes obesos.

Se não é essa a mensagem que você quer passar, é importante organizar a alimentação da criança de outras formas, baseada em horários, por exemplo. É claro que isso deve acontecer aos poucos, à medida que a criança vai crescendo. É fundamental ir separando as ideias de “sentir-se chateado” e “comer”. Outro costume saudável que você pode cultivar é buscar prazer em outras fontes, como brincar, “gastar energia”, etc.

Essa questão é mais profunda do que pode parecer. Algumas pessoas, de tanto passarem a vida toda deixando de enfrentar suas frustrações, porque usam a comida e outras formas de fuga, acabam tornando-se pessoas imaturas, superficiais ou frágeis. Pense sobre isso! Comida é fonte de nutrição e de prazer, mas o ideal é que não seja usada como fuga.

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390