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A lenda do “não” e uma explicação neuropsicológica para evitá-lo

Existe uma conversa por aí de que devemos evitar falar “não” para as crianças.  Isso é uma bobagem. É lógico que é normal dizer “não”. Mas existe uma forma mais eficaz de comunicar o “não” em alguns casos.

Quando uma criança está prestes a fazer algo perigoso ou em desobediência, a maioria dos pais e educadores irá intervir. O mais comum é que digam: “Lucas, não…”. Se Lucas está quase encostando numa panela quente, o adulto diz: “Lucas, não encoste nessa panela”. Acontece que uma frase assim não é tão eficaz. O ideal é um comando afirmativo. Por exemplo: “Lucas! Fique parado!” (Para que você vá até ele e retire-o do local).

Neurologicamente, uma frase afirmativa faz um caminho direto em nosso raciocínio enquanto que uma frase que usa a palavra “não” faz um caminho que passa por sua afirmação: “eu tenho que não encostar nessa panela”, o que pode fazer a criança realizar justamente a ação indesejada. Isso vale para todas as nossas frases, mesmo no universo entre adultos, e principalmente as imperativas. Então aqui vão alguns exemplos para ilustrar melhor:

 

Ao invés de:                                                                     Melhor usar:

-Não posso comer desse bolo.                                 -Vou comer uma maçã agora.

– Não pule do sofá!                                                   -Fique parado! (em situações de perigo muitas vezes é melhor que a criança pare e o adulto contorne a situação).

– Não morda sua irmã!                                              – Aqui sua bola! Brinque com sua irmã! (depois tire tempo para explorar o carinho entre eles)

– Não esqueça seu agasalho!                                   – Lembre-se de levar seu agasalho.

– Não faça/vou… (seguido da ação                          – Faça/vou… (seguido da ação desejada).

indesejada).

Essa escolha simples pode melhorar muito sua comunicação! Um grande abraço!

 

Carolina Moreira é neuropsicóloga e mestre em Psicologia. É psicóloga clínica na Universidade Federal de Uberlândia. Tem treinamento em ansiedade, depressão e terapia cognitivo-comportamental pelo Beck Institute e pelo Oxford Cognitive Therapy Centre. CRP 04/27390